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FMM: De Marrocos a Porto Rico, mais música confirmada

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15 Março 2017

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo sempre foi um festival de descobertas e voltará a sê-lo na sua edição de 2017, que se realiza de 21 a 29 de julho em Sines e Porto Covo. De África, Médio Oriente, Sudeste Asiático, Américas e Europa, estão confirmados mais nove concertos, de artistas que começam agora a chegar aos públicos internacionais da música ao vivo ou que estão finalmente a receber o reconhecimento merecido.

A-WA (lê-se ei-uá) é um trio de irmãs nascidas no sul de Israel que funde o folclore iemenita judaico com a música de dança. Descobertas por Tomer Yosef (Balkan Beat Box), com quem trabalharam no disco de estreia, Tair, Liron e Tagel Haim cantam poemas de amor e protesto em dialeto arábico iemenita. São um dos grupos em mais rápida ascensão da música de dança de textura global.

BCUC (por extenso: Bantu Continua Uhuru Consciousness) é uma banda na tradição da música de protesto do Soweto, África do Sul. Fazem música afropsicadélica (a que dão o nome trava-línguas “Africangungungu”), expressa em longas digressões funky movidas por baixo elétrico, voz e percussão. Cantam em zulu, sotho e inglês e não hesitam quando é preciso denunciar o lado menos colorido da Nação Arco-Íris.

Den Sorte Skole é o duo de produtores e compositores dinamarqueses Simon Dokkedal e Martin Højland. Os seus espetáculos são “sinfonias” dançáveis criadas a partir de samples de discos de todos os géneros e de todas as partes do mundo. Mais do que DJ sets, são esculturas sonoras feitas a partir de colagens de fragmentos da herança musical da humanidade. Serão acompanhados pelo artista visual Dark Matters.

ÌFÉ é o projeto musical de Otura Mun, cantor, produtor e percussionista que do estado americano do Indiana voou para Porto Rico, onde está radicado desde os anos 90. Sacerdote do culto de Ifá da religião ioruba, Otura incorpora na sua música de dança de matriz R&B o contributo dos ritmos afrocaribenhos e dos cantos sagrados da sua fé. Depois de vários singles de grande sucesso, o seu álbum de estreia é lançado em 2017.

A cultura de raiz ioruba subjaz à proposta criativa de outro concerto do FMM Sines 2017. Metá Metá (que significa “três ao mesmo tempo” na língua ioruba) é um trio de São Paulo que junta Juçara Marçal, na voz, Thiago França, no saxofone, e Kiko Dinucci, na guitarra. Música afro-brasileira, jazz e grandes culturas musicais africanas – Marrocos, Etiópia, Níger e Mali – inspiram o seu disco mais recente, “MM3”.

N3rdistan é um quarteto liderado pelo cantor marroquino Walid BenSelim. A música do grupo recolhe elementos na música eletrónica, no rap e da poesia de grandes autores do Levante. Com a rapper Widad Brocos, Walid dialoga em ritmo sincopado no dialeto darija, que aprendeu nas ruas de Casablanca. A flauta de Benjamin Cucchiara e a bateria de Cyril Canerie dão substância instrumental ao som do grupo.

Em 2017, prossegue com Romperayo a visita anual do FMM Sines à nova música colombiana. Romperayo é um quarteto instrumental que faz regressar a Sines o percussionista Pedro Ojeda, que já cá tinha estado com Los Pirañas. É ele quem marca o ritmo alucinogénico desta incursão pelos sons psicadélicos da cumbia dos anos 70 e por outros ritmos tropicais fundidos com a música eletrónica e com o jazz.

Simply Rockers Sound System é um sistema de som móvel português inspirado nos mestres que construíram os primeiros sound systems na década de 50 do século passado nas ruas de Kingston, na Jamaica. Ativo desde 2012, o Simply Rockers Sound System divulga o passado, o presente e o futuro da música roots rock reggae dub através de sessões de dança com Ernesto Honesto, Natty Fred e Joydan.

The Barberettes é um trio de Seul que recupera a tradição dos grupos de doo-wop dos anos 50 e 60. São uma divertida e despretensiosa viagem no tempo até à idade de ouro dos agrupamentos de harmonias vocais e ao estilo Barbershop (de onde vem o seu nome). A sua principal referência são The Kim Sisters, outro trio sul-coreano de doo-wop, que fez fama e carreira nos EUA há mais de cinco décadas.

Foto A-WA (c) Hassan Hajjaj